Escritor · Tradutor · Ensaísta

V. de Moura
Damasceno

Escrita sobre tempo, memória e travessias humanas

Escrevo sobre aquilo que permanece quando o tempo passa:
memória, ausência, corpo, afetos, perdas, encontros
e as pequenas transformações da vida cotidiana.
Sobre o autor

Uma vida
em travessia

Nasci em Curvelo, Minas Gerais, em 7 de março de 1967. Cresci, porém, em Belo Vale — uma pequena cidade do interior mineiro à beira do rio Paraopeba, onde passei os melhores anos da minha infância e adolescência. O sino da matriz marcava o meio-dia e as seis da tarde. O apito do trem chegava de longe, pontual como uma promessa. As crianças brincavam na praça até o escuro fechar. Foi ali que aprendi a olhar. Ali que aprendi a escutar. Belo Vale não é um lugar que se deixa para trás — é um lugar que se carrega por dentro. Carrego-o ainda hoje, mesmo depois de décadas vivendo em São Paulo.

A linguagem chegou cedo. Não sei precisar quando — talvez sempre tenha estado ali, antes mesmo de ter nome. Mas foi em fevereiro de 1987, ao ingressar no Bacharelado em Tradução na Faculdade Newton Paiva, em Belo Horizonte, que escolhi formalmente esse caminho. Ao concluí-lo, em dezembro de 1991, sabia que as palavras seriam o fio condutor de tudo que viria.

A tradução me ensinou algo que nenhum outro campo poderia: que entre uma língua e outra existe um território imenso — feito de cultura, silêncio, intenção, nuance — que nenhum dicionário consegue abarcar completamente. Aprendi a habitar esse espaço intermediário. Aprendi a escutar o que não está dito.

Da tradução para o jornalismo foi um passo natural. Entre 1997 e 2000, atuei como editor no Jornal Edição do Brasil, em São Paulo, onde aprendi que a clareza é uma forma de respeito — e que a revisão, esse gesto de voltar, rever, ajustar, é parte essencial de qualquer trabalho com linguagem.

Em março de 2000, ingressei no Banco do Brasil. Mais de duas décadas depois, ainda estou aqui — não porque a vida corporativa tenha sido minha vocação primária, mas porque compreendi que o trabalho com pessoas e com o sentido das coisas não é privilégio de uma única profissão. O trabalho com linguagem. O trabalho com sentido. Sempre o mesmo fio.

Mas escrever sempre esteve ao lado. Silenciosamente. Pacientemente.

Em 2023 e 2024, essa obra ganhou um livro que não estava planejado. Uma internação por pneumonia, um achado inesperado nos exames, um diagnóstico — Timoma — e uma cirurgia, em 9 de abril de 2024, que me devolveu ao mundo com outros olhos. Desse percurso nasceu Fragmentos de Cura. Não um livro sobre doença. Um livro sobre corpo, medo, espera, cuidado, fragilidade, presença e transformação.

Hoje me aproximo de uma transição que venho preparando há anos. Em 2027, pretendo encerrar minha trajetória corporativa e dedicar mais tempo ao que sempre cultivei com cuidado: a escrita, a tradução, os livros — e a vida com menos urgência. Há um veleiro nesse horizonte. Uma casa de campo. Mais tempo para o silêncio. E, claro, mais palavras.

Em preparação para publicação

Fragmentos
de Cura

V. de Moura Damasceno
Próximo livro

Fragmentos
de Cura

No final de 2023, uma internação por pneumonia trouxe um achado inesperado nos exames. Vieram novos exames. Consultas. Esperas. Perguntas. Depois, o diagnóstico: um Timoma. Em 9 de abril de 2024, a cirurgia de retirada do tumor.

Essa travessia se transformou em matéria literária. Fragmentos de Cura não é um livro sobre doença — é um livro sobre corpo, medo, espera, cuidado, fragilidade, presença e transformação. Sobre aquilo que permanece em nós depois que tudo parece ter mudado.

O texto está concluído e revisado. Resta apenas a capa e a diagramação final. A publicação é iminente.

Demais obras

Os outros livros

Além de Fragmentos de Cura — uma conversa longa consigo mesmo, organizada ao longo de décadas de observação e escrita.

1ª edição disponível · 2ª em revisão

Anelos de um
Neófito

V. de Moura Damasceno

Um livro de buscas e anseios. De quem ainda está aprendendo a ser — e que vai compreendendo, com o tempo, que o aprendizado nunca termina realmente. A segunda edição está em processo de revisão: um reencontro com o autor que foi, à luz do homem que se tornou.

Ensaio pessoal

Coração
dos Outros

V. de Moura Damasceno

Sobre as relações humanas em toda a sua complexidade. O que acontece quando tentamos, com sinceridade e limitação, entrar no mundo interior do outro — e o que descobrimos, nesse exercício, sobre nós mesmos.

Existe em manuscrito. Está sendo trabalhado — no tempo que pede. Ainda sem previsão de publicação.Avise-me quando sair →

Crônica · Reflexão

Serendipidade

V. de Moura Damasceno

Os encontros que não planejamos. Os desvios que se revelam caminhos. A arte de reconhecer o inesperado como presente — e a sabedoria de saber recebê-lo sem forçar o que ele quer dizer.

Existe em manuscrito. Está sendo trabalhado — no tempo que pede. Ainda sem previsão de publicação.Avise-me quando sair →

Ficção · Identidade

Máscaras

V. de Moura Damasceno

Os rostos que construímos para o mundo — e os que preservamos apenas para nós. Uma exploração da identidade, da performance social e da distância entre quem somos e quem aparentamos ser.

Existe em manuscrito. Está sendo trabalhado — no tempo que pede. Ainda sem previsão de publicação.Avise-me quando sair →

Narrativa poética

Os Três Rios
e a Lâmpada

V. de Moura Damasceno

Uma travessia por paisagens interiores. Três rios como metáforas de percursos humanos — e uma lâmpada como símbolo daquilo que, mesmo quando tudo é escuro, ainda insiste em iluminar o próximo passo.

Existe em manuscrito. Está sendo trabalhado — no tempo que pede. Ainda sem previsão de publicação.Avise-me quando sair →

Coleção

O que (penso que)
aprendi sobre…

V. de Moura Damasceno

Uma coleção de volumes breves sobre temas da vida: o tempo, o trabalho, as relações, o silêncio. Cada livro, uma tentativa honesta de partilhar o que a experiência foi ensinando — com a humildade de quem sabe que o aprendizado continua.

Um projeto vivo — sendo construído título a título, no ritmo da experiência. Ainda sem previsão de publicação.Acompanhar o projeto →

Diário · Textos · Fragmentos

Caderno aberto

Reflexões, crônicas, fragmentos inéditos e pensamentos sobre tempo, escrita, memória e vida.

Anelos de um Neófito · Prólogo

Visita a Manoel de Barros

22 de maio de 2013. Toquei a campainha da casa de Manoel de Barros e a empregada atendeu, desconfiada. Passados alguns minutos, o portão se abriu. A sensação que tive foi que se abria para mim uma passagem secreta, que conduzia a uma fonte inesgotável de poesia. Fui recebido por d. Stella Barros — 91 anos, memória inteira e sorriso honesto como só os que passaram pelos anos possuem: "Entre, Sr. Vanderlei. Não repare, pois o senhor está entrando em uma casa que só tem velhos." Ao final, ela leu o poema que eu havia escrito em homenagem a Manoel. "Muito bonito seu poema. Gostei." Ganhei meu dia, minha tarde, minha noite.

Ler em Anelos de um Neófito
Fragmentos de Cura · Véspera da cirurgia

A solidão do homem acompanhado

Aquela noite, em casa, parecia trazer um silêncio diferente de todos os outros. Um silêncio que não era ausência de som, mas uma presença densa, que se acumulava nos cantos do quarto e emprestava um peso estranho ao tique-taque do relógio. Ao meu lado, sob o mesmo lençol, minha esposa dormia. A respiração dela soava como um hino a uma paz que, para mim, parecia pertencer a um outro momento. Perguntei a mim mesmo: que direito tenho eu de abrigar em meu peito uma tempestade ao lado daquela calmaria? Entendi ali a solidão mais absoluta que se pode conhecer: a solidão de um homem acompanhado.

Ler em Fragmentos de Cura
Anelos de um Neófito · Poesia

Despertar

Intriguei-me por ver, tantas vezes,
meus óculos caírem no chão.
Até que, enfim,
ergui a cabeça
e pude ver
além do que me mostrava a calçada.

Ler em Anelos de um Neófito
Cartas do Neófito · Série no Substack

Fragmentos de Fragmentos de Cura em publicação semanal — a travessia narrada em primeira pessoa, do diagnóstico à decisão.

Avulsos

Fora dos livros

Textos breves, notas de percurso e escritos ao longo do caminho — reflexões que escrevi e que não fazem parte de nenhum livro (ainda).

Palavras · Sabedoria

Conhecimento é uma coisa.
Sabedoria é outra coisa.
Conhecer e saber.
Um é cheiro.
O outro é sabor.

Observação · Ironia

…uma era em que vilões são mais valorizados que os heróis.

Relações · Cautela

…certos encontros podem ser fatais ou deixar sequelas. Quer exemplos? O polo positivo com o negativo. O lobo e o cordeiro.

Reflexão · Humor

…a verdade é que ando meio sem ideias. Ando, não — estou estanque, estático e sorumbático — pra não dizer "sarapopético", como sempre me dizia um certo José Lucas Damasceno.

Sociedade · Tempo

Sinal dos tempos. Mas que tempos? Fico pensando: será que não estamos nos afastando do sagrado? Não há mais respeito por opiniões contrárias. Não há mais tolerância. Não há mais…

Aforismo

…o fato de não estar olhando não quer dizer que não estou vendo.

Bem · Reciprocidade

…quando a gente quer o bem, o bem vem; tanto pra mim quanto para mais alguém.

Ironia · Fé

…gente que faz o mal e se traveste de devota desse ou daquele santo protetor. Se até nós, meros mortais, vemos o que fazem aqui na Terra, o que dizer dos santos…

Relações · Paciência

…certas pessoas demoram tanto a responder, que prefiro perguntar logo…

Aforismo · Humor

…descobri que tenho um gosto musical mnemônico. Não me peça para explicar.

Palavras · Silêncio

…só costumo falar sobre o que sei; por isto ando meio calado.

Vida · Felicidade

…cria-se CNPJ não para buscar a felicidade, mas o sustento. A felicidade não tem nada a ver com renda.

Reflexão · Ironia

…ultimamente, tenho sido quase obrigado a aprender coisas novas que sequer me apetecem. Logo eu, que tenho procurado desaprender tanta coisa que não me importa mais — entre elas o uso dito correto dos verbos e algumas verborragias.

Aforismo · Lógica

…não pode haver evolução quando se anda pra trás — e nem mesmo quando se anda pra frente, mas olhando para trás. E nem estou falando de caminhada, heim…

Excelência · Reflexão

…isto merece ser feito? Merece ser bem feito — ou merece ser feito de qualquer jeito?

Sociedade · Identidade

…tanta euforia pela cidadania italiana, portuguesa e afins — e não se vê falar de corrida pela cidadania africana. Será desconhecimento histórico, prepotência — ou ignorância mesmo?

Tempo · Aforismo

…importa mesmo saber a hora?

Bem · Poesia

…quando faço o bem,
sou eu o mais impactado,
não o outro alguém.

Silêncio · Alma

…há certas coisas que não acontecem — e que devem ficar somente com a gente mesmo. É melhor para o corpo, para a mente… para a alma.

Ódio · Alerta

…passando pra alertar que o ódio que você sente não faz mal nenhum a quem você odeia — mas pode fazer muito mal a quem você quer bem.

Palavras · Sabedoria

…o conhecimento se adquire estudando. Já a sabedoria se adquire observando.

Reflexão · Ironia

…ser super-humano sem antes ter sido minimamente humano. Um contrassenso.

Silêncio · Poesia

…tantas palavras, tanto grito, tanta manifestação — para ao final chegar à conclusão de que o silêncio é que importa.

Tempo · Poesia

…o tempo anda.
O relógio para.
O tempo fala.
O relógio cala.
O tempo expande.
O relógio esconde.
O tempo apressa.
O relógio expressa.
O tempo muda.
O relógio mede.
O tempo…

Ironia · Sociedade

…está passando da hora de alguém dizer: "O rei está nu!" E não falo de realeza alguma.

Encorajamento

…não sei aonde você quer chegar, mas continue andando. Você está quase lá.

Reflexão · IA

…pensava que em certa época da vida eu iria mergulhar mais fundo em diversos assuntos. Tendo chegado a essa tão sonhada época, encontro um artigo que penso irá revelar os detalhes daquele assunto que tanto prezo. Aí vem a IA e me pergunta: "Você quer que eu faça um resumo desse texto para você?"

Família · Reflexão

…"vamos esperar a vida melhorar para ter filhos." Uma imposição de uma limitação que vai adiar a chegada de tanta gente nova a esse planeta. Sendo pais, temos sempre que colocar limites — mas não podemos fazer isso antes deles nascerem.

Aprendizado · Ignorância

…tenho descoberto tanta coisa nova em tantos campos que me vem sempre a sensação de que acabei de chegar. Ou estarei partindo? Tenho para mim que o nome disso é ignorância — ou a vontade de estar longe dela.

Vida · Projeto

…o casamento é um grande projeto com diversos projetos dentro: a casa, o primeiro filho, o carro, a viagem para…, o sítio, o segundo filho, a reforma da casa.

Aforismo · Caminho

…quando a estrada parece estreita, é porque é chegada a hora de procurar alargar a mente.

Aforismo · Segredo

…"ninguém mais vai ficar sabendo. Só você." Tem coisa pior que isso?

Cotidiano · Observação

…atento, dia desses, à conversa de um casal novinho na escada rolante do metrô: "Você vai passar o Natal lá?" "Praticamente." Tem-na-di-ca-di-na-da — se é que você me entende.

Caráter · Aforismo

…qualquer um pode duvidar do meu caráter; exceto eu mesmo.

Caráter · Liberdade

…minha forma de agir e falar pode até ter me custado promoções e reconhecimentos — mas eu não poderia deixar que o custo maior fosse a minha liberdade de pensar e agir.

Resistência · Alma

…tem hora que tudo é escuridão e o desânimo nos abraça como que para definir o nosso destino. É exatamente nessa hora que é preciso resistir. E uma mágica acontece: o coração se acalma e a alma se alegra.

Identidade · Aforismo

…cada um tem sua realidade — e se é assim, é natural que haverá minorias até mesmo dentro das minorias. Sou uma minoria eu mesmo, pois eu sou só eu.

Maturidade · Reflexão

…chega uma fase da vida em que temos que questionar não pra que melhorar, mas para quem melhorar.

Viagem · Olhar

…sempre achei estranho tanta gente que viaja o mundo inteiro e volta do mesmo tamanho. E não falo em ganho de peso, heim…

Paciência · Processo

…aprendi muito, lá pelos idos de 1970, com um vizinho e senhorio, como plantar alho, cebola, milho, morango — e como cuidar da parreira de uva. Mas o que ele mais me ensinou foi a ter paciência no processo. A terra precisa antes ser preparada para receber a semente, a semente precisa esperar os nutrientes do solo, o caule precisa ter paciência para esperar os galhos, que esperam as folhas que esperam o fruto…

Cotidiano · Alegria

…sabe uma das coisas que mais me deixam admirado e feliz ultimamente? As pessoas conversando olhando nos olhos.

Transformação · Reflexão

…quando pensei que meu mundo não tinha salvação, deparei-me com a razão dos meus próximos dias. Entendi então que o que me fez mudar não foi o que sofri, mas o que eu não havia vivido até ali.

Aforismo · Exigência

…exija de você mesmo o máximo que imagina seja a recompensa.

Relações · Clareza

…aprendi que as atitudes das pessoas em relação a mim dizem mais respeito a elas do que a mim.

Gentileza · Graça

…quando sou gentil com alguém que me feriu, eu que estou sendo contemplado com alguma graça. Quando sou rude, a graça se perde.

Escolha · Aforismo

…já escolhi os sofrimentos que quero sofrer.

Ascensão · Reflexão

…existem ascensões mais significativas ao ser humano do que a ascensão profissional.

Passado · Futuro

…se ficar remoendo o passado, corre o risco de ficar preso no presente — e o futuro será apenas uma miragem.

Aforismo · Humor

…quando digo "vou pensar" e me perguntam o prazo, digo que poucas horas ou poucos dias — mas começa a contar de quando eu começar a pensar.

Distância · Descoberta

…certas coisas — e não-coisas — que a gente só encontra de verdade depois que nos afastamos delas.

Tempo · Memória

…certo dia, alguém me perguntou em que momento eu me dei conta de que estava ficando velho. Creio que quando, nas idas a Minas Gerais, observei que gente com quem eu havia convivido e vários amigos haviam se tornado nomes de ruas, de praças e de escolas.

Informação · Reflexão

…melhor a informação chegar de qualquer jeito — ou de jeito nenhum?

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